novembro 30, 2010

Envie manifesto aos senadores pela não aprovação do PL do Ato Médico

Ato Médico não entra na pauta em regime de urgência

23.11.2010

Psicologia garante audiência sobre PL no Senado e mobiliza fóruns de saúde

O presidente do Senado Federal, José Sarney, recebeu na manhã desta terça-feira, 23 de novembro, o Conselho Federal de Psicologia e representantes de conselhos profissionais, fóruns e associações de profissionais e usuários da saúde. Ele escutou as preocupações do grupo com o andamento do Projeto de Lei n° 268/202 (Substitutivo da Câmara Federal – SCD), conhecido como o PL do Ato Médico, e assegurou que o PL não entrará na pauta do plenário em regime de urgência, conforme havia sido solicitado por setores da medicina.“Não vamos colocar em urgência, estou vendo que é um assunto controvertido”, afirmou o presidente do Senado diante da afirmação de que não há consenso sobre o PL na área de saúde.

Os representantes afirmaram esperar que ele seja amplamente discutido com a sociedade antes de ir a votação. “Precisamos continuar discutindo. É um PL de interesse de toda a sociedade, porque envolve questões sobre o diagnóstico, o tratamento e uma série de assuntos da saúde que não são exclusividade da Medicina”, afirmou José Marcos de Oliveira, representante do Segmento dos Usuários no Conselho Nacional de Saúde.

Para Humberto Verona, presidente do CFP, o PL interfere na autonomia do trabalho das profissões de saúde e causa danos ao SUS ao prejudicar o atendimento integral à saúde da população. Ele lembrou da importância da realização de audiência pública e de debate exaustivo sobre o tema, para garantir à sociedade o direito ao atendimento multiprofissional.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde lembrou que 2.566.694 profissionais de saúde serão afetados pelo PL. O número é de estatísticas do IBGE e data de 2005.

Estiveram na reunião conselheiros do Conselho Nacional de Saúde (CNS), representantes do Fórum das Entidades Nacionais dos Trabalhadores da área da Saúde (Fentas), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), dos Conselhos Federais de Psicologia (CFP), de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Cofito), de Fonoaudiologia e de Enfermagem.


Veja aqui ofício entregue ao presidente do Senado.

FONTE: POL

novembro 29, 2010

Comunicado: Pinel Fashion Day II

Avisamos a todos que por conta da atual situação da cidade do Rio de Janeiro, com vistas à preservação de todos participantes, a comissão organizadora resolveu adiar temporariamente o evento Pinel Fashion Day II.

Em breve, entraremos em contato a fim de informar a todos uma nova data para o evento,

Agradecemos a todos.

Equipe organizadora do Pinel Fashion Day II

Eventos sobre Alienação Parental

O evento acontecerá HOJE:

Universidade Federal de Santa Catarina


Auditório do Centro Sócio-Econômico /UFSC (Térreo)
Necessário número do CPF para emissão de certificado.
Informações: psi-emaj@googlegroups.com

novembro 25, 2010

Pinel Fashion Day II

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Confira 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Portal Pró-Menino

A 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul percorrerá 20 capitais no Brasil entre 8 de novembro e 19 de dezembro, abordando temáticas relacionadas aos direitos humanos. Em São Paulo, o evento vai de 19 a 25 de novembro e traz uma programação recheada de filmes do Brasil e da América Latina, além de co-parcerias com a Europa.

Relacionado ao universo infantojuvenil, a Mostra traz boas pedidas como o filme “O ano em que meus pais saíram de férias”, dirigido por Cao Hamburguer e que retrata o universo de um menino que teve o rumo da vida mudado em razão da perseguição política de seus pais. Destaque também para “Paraíso”, um filme de Héctor Gálvez sobre a vida de jovens do bairro Paraíso, na cidade de Lima (Peru), que vivem sem perspectiva por causa da pobreza. Outra opção é o documentário “Cinema de Guerrilha”, de Evaldo Mocarzel, que conta a história de jovens que fazem cinema e exibem seus curtas-metragens em comunidades.

A 5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é uma iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com a colaboração da Cinemateca Brasileira e da SAC – Sociedade Amigos da Cinemateca. A curadoria é de Francisco Cesar Filho.


Saiba mais sobre a Mostra e confira a programação

EL PRETENDIDO SINDROME DE ALIENACION PARENTAL: UN INSTRUMENTO QUE PERPETUA EL MALTRATO Y LA VIOLENCIA

Encontre Noos - Alienação Parental

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Lançamento do livro Síndrome da Alienação Parental

Síndrome da Alienação Parental

Campos: seminário discute guarda compartilhada de filhos com pais separados

Publicado em 22/11/2010 - 20:02:01
Um grupo de pesquisadores e professores da área de psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro subiu ao palco para apresentar um espetáculo que serve como base para discutir a alienação parental.

Matéria exibida no RJ INTERTV 2ª Edição


Nesta segunda-feira (22), no Forúm de Campos, um encontro discutiu a guarda compartilhada de filhos de casais separados. Um grupo de pesquisadores e professores da área de psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro subiu ao palco para apresentar um espetáculo que serve como base para discutir a alienação parental. A peça "Depois que meus pais se separaram" conta a história de um jovem que viveu desde a infância o drama da separação dos pais.

Para a Justiça, foi uma boa oportunidade para discutir a lei que entrou em vigor há dois anos e ainda é pouco conhecida dos casais

novembro 23, 2010

Sobre o exercício ilegal ou irregular da profissão

Orientação

A inscrição do psicólogo junto ao Conselho Regional de Psicologia é um dos aspectos definidos para a legalidade de seu exercício. Quando isso não ocorre, tal prática poderá caracterizar-se como exercício ilegal ou irregular da profissão. Quando se dá uma ou outra situação? A quem cabe a responsabilidade pela apuração? E quais medidas podem ser tomadas nesses casos? Essas são algumas questões esclarecidas a seguir:

Exercício ilegal

O exercício ilegal ocorre nos seguintes casos:

1) quando, embora tendo a formação em Psicologia, o psicólogo não tenha inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia:
- nunca se inscreveu;
- teve a inscrição cancelada a pedido, por falta de apresentação do diploma ou outros motivos;
- teve a inscrição suspensa ou cassada por penalidade ética;

2) quando o profissional não é psicólogo e realiza/realizou atividades próprias do exercício profissional do psicólogo. Incluem-se neste caso estudantes de Psicologia que exercem atividades de psicólogo sem formalização de contrato de estágio;

3) quando o profissional não é psicólogo, mas apresenta-se como tal.

Considerando que o Conselho Regional de Psicologia tenha por finalidade orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo e zelar pela fiel observância dos princípios e ética e disciplina da classe, a apuração do exercício ilegal fica a cargo da justiça.

O que regulamenta a prática ilegal da profissão é o DECRETO-LEI n° 3.688, de 3 de outubro de 1941 - Lei das Contravenções Penais:

Exercício ilegal de profissão ou atividade
Art. 47 - Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício: Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses ou multa.

“Qualquer pessoa que toma conhecimento do exercício ilegal da profissão de psicólogo poderá proceder com a denúncia”, explica a psicóloga e conselheira do CRP SP, Carmem Taverna. “Quando em alguns casos alguém nos contata querendo fazer uma denúncia contra um profissional e constatamos que o profissional não é inscrito, sugerimos que a própria pessoa proceda com a denúncia numa delegacia de polícia, pois poderá auxiliar no esclarecimento do fato.”

Na cidade de São Paulo denúncias podem ser encaminhadas à 1ª Delegacia de Saúde Pública, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) da Polícia Civil, que fica na Avenida São João, nº 1.247, Centro. No interior, qualquer delegacia de polícia pode ser procurada. Criado há cerca de um ano, o DPPC não registrou casos envolvendo exercício ilegal na área da Psicologia, de acordo com a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil.

Exercício irregular

O exercício irregular da profissão ocorre quando o psicólogo atua em Regional diferente ao de sua inscrição principal sem solicitar inscrição secundária, por mais de 90 dias, acarretando infração disciplinar, sujeito a responder um Processo Disciplinar Ordinário.

Tanto psicólogos quanto prestadoras de serviços (Pessoa Jurídica) em Psicologia devem estar atentos às implicações quando do conhecimento do exercício ilegal de outros profissionais.

Aos psicólogos, conforme dispõe o Código de Ética em seu artigo 1º:

Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:
l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão, transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional.

E, artigo 2º:

Art. 2º - Ao psicólogo é vedado:
e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais;

Às prestadoras de serviços (Pessoa Jurídica) inscritas no CRP, há disposto na Resolução CFP n° 003/2007, artigo 42:

Art. 42 - Será considerada infração disciplinar sujeita ao processo disciplinar ordinário:
(...) II - Para pessoa jurídica:
a) manter pessoa física no exercício profissional em período de suspensão/cassação ou com o registro ou cadastro cancelado;
b) contratar ou acobertar pessoa não habilitada para o exercício da profissão ou sem inscrição profissional;
(...)

É importante que, ao contratar psicólogos, as empresas estejam atentas e certifiquem-se da regularidade cadastral do psicólogo. Tal informação poderá ser obtida diretamente no site do CRP SP ou pela solicitação ao psicólogo de Declaração Profissional de Exercício e Ética expedida pelo Departamento de Atendimento do CRP SP. Para consulta a regulamentação citada, acesse o site do CRP SP no item Legislação.

Para Carmem Taverna, respeitar o Código de Ética, bem como os demais aspectos da legislação profissional, sistematizados como referências nas Resoluções do Sistema Conselhos de Psicologia, significa respeito tanto aos colegas, à Psicologia e à sociedade. "Zelar para que isso aconteça é uma responsabilidade que não pode ser minimizada", diz.


FONTE: CRPSP

novembro 22, 2010

Questões Éticas

O que mudou nas representações

Comissão de Ética avalia as mudanças e o significado das representações contra psicólogos nos três últimos anos e vê avanço da cidadania.

As ações de esclarecimento e orientação desenvolvidas pelo CRP SP ao longo dos últimos três anos contribuíram para reduzir o número de representações contra psicólogos levadas a julgamento pela Comissão de Ética. O ponto de maior destaque foi a redução dos casos envolvendo laudos psicológicos. A constatação foi possível após um levantamento das representações levadas ao Conselho entre o final de 2007 e o final de 2009.

"O procedimento prevê que, depois da manifestação do psicólogo, a Comissão de Ética deve avaliar se há possibilidade de infração ética na situação", diz a conselheira Patrícia Garcia, da Comissão de Ética (COE). "Há três anos, perto de 75% das representações chegavam a essa fase. Atualmente, isso acontece em apenas metade dos casos." Vale acrescentar que, mesmo que a representação se torne um processo e chegue a julgamento, este ainda pode ser arquivado, após avaliação do mérito.

Patrícia explica que os critérios de avaliação não mudaram, ou seja, o rigor permaneceu o mesmo. "Acreditamos que essa redução se deve a iniciativas como a Resolução 07/2003, que estabeleceu parâmetros para a elaboração de documentos escritos decorrentes de avaliação psicológica", diz. Segundo a conselheira, houve um contínuo trabalho de divulgação da Resolução e de orientação dos psicólogos no que se refere à elaboração dos laudos, o que contribuiu para esse novo quadro.

A elaboração de documentos também foi abordada no contexto de algumas áreas de atuação dos psicólogos, como foi o caso do sistema prisional ou na área da infância e juventude. Outro aspecto importante foram ações em áreas específicas, nas quais havia um grande questionamento nos laudos emitidos. No final de 2008, por exemplo, o CRP SP elaborou recomendações para os psicólogos que atuam no âmbito da Vara de Família, orientando sobre procedimentos e postura a serem observados quando atuando como peritos, assistentes técnicos e mesmo psicólogos clínicos ou que atuam em instituições (fora do âmbito da Justiça) e que têm seus documentos escritos incorporados como peça em processos judiciais.

Cidadania - Afora os laudos psicológicos, outros tópicos motivam representações junto ao Comitê de Ética: sigilo na atuação em equipes multiprofissionais; práticas não reconhecidas, tais como terapias de vidas passadas; falta de devolutiva em atendimentos via convênio; fraudes envolvendo seleção de candidatos a empregos ou práticas impróprias em instituições fechadas.

"Mesmo em menor número, eles também são importantes por indicar áreas nas quais problemas estejam surgindo ou se agravando", diz Patrícia. "Isso dá ao Conselho a oportunidade de desenvolver ações de caráter mais amplo, seja orientando o psicólogo, seja alertando as instituições nas quais eles prestam serviços."

Um tópico novo, que deverá requerer a atenção da nova gestão do CRP SP, segundo Patrícia, é a questão da intervenção dos psicólogos nos meios de comunicação. "A mídia tem um poder inegável e os psicólogos têm sido chamados com frequência para abordar situações as mais diversas. Essa intervenção, contudo, precisa ser feita com muito cuidado. Diversas representações chegaram até nós mais recentemente, o que é motivo de preocupação. A entrevista com a conselheira do CFP, Roseli Goffman, na edição passada do Jornal PSI, ofereceu uma orientação muito precisa a respeito desse assunto".

Patrícia vê, por fim, um aspecto positivo nas representações levadas ao Conselho. "Ainda que de forma indireta, e certamente não no contexto que gostaríamos, as representações são um indicador da importância do papel do psicólogo", diz. "Mais importante do que isso: ao recorrer ao Conselho, a população está se colocando como sujeito de direitos, demandando um serviço de qualidade. Mesmo quando a queixa não procede, essa procura revela um avanço na percepção da cidadania, que é um dos objetivos maiores da nossa atuação como psicólogos."


FONTE: JORNAL PSI CRPSP edição 166

Publicação CFP

FALANDO SÉRIO sobre prisões, prevenção e segurança pública

Dia da Consciência Negra:

Psicologia pela promoção da igualdade étnico-racial

Nesta data, 20 de novembro, em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, o Conselho Federal de Psicologia lembra a todos a importância do resgate das raízes brasileiras e o combate ao racismo que até os dias de hoje insiste em permear diversas relações em nosso País, como forma de reconhecimento social do negro na sociedade brasileira.

Para debater o assunto, foi realizado em outubro deste ano, o I Encontro Nacional de Psicólogos (as) Negros (as) e Pesquisadores (as) sobre Relações Interraciais e Subjetividade no Brasil (I Psinep), apoiado pelo CFP. “Rompemos assim com a circulação de ideias simplificantes sobre as desigualdades no Brasil e na Psicologia”, afirma a psicóloga Maria Lúcia da Silva, que participou da organização do evento. Este teve como objetivo central a consolidação de uma rede de profissionais qualificados para a promoção da igualdade étnico-racial.


“Pensar o Dia da Consciência Negra do ponto de vista da Psicologia é pensar nos efeitos que o racismo traz na construção da subjetividade do sujeito. Racismo, na maioria das vezes, imprime marca negativa, que leva o sujeito a se enxergar de forma inferiorizada. O racismo promove humilhação, que atinge o sujeito naquilo que o constitui, sua identidade. A importância da Psicologia estar articulada, sensibilizada e trabalhando o tema é para que ela possa estar a serviço da população, a serviço de construir um sujeito mais pleno, mais saudável psiquicamente”, afirma Maria Lúcia.

Cabe aos psicólogos colocar a sua prática a serviço da promoção da igualdade, da justiça e do respeito à diversidade, reconhecendo a necessidade do resgate das dívidas históricas do Brasil na relação com os negros brasileiros.


FONTE: POL

III CBP: CIÊNCIA E PROFISSÃO

III Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência & Profissão, realizado de 3 a 7 de setembro, nas dependências da Uninove e do Memorial da América Latina, em São Paulo, teve como tema "Construir referenciais éticos, democráticos e participativos". A partir dessa referência, psicólogos, estudantes, professores e pesquisadores da área puderam, aprofundar e qualificar o compromisso com a construção de uma sociedade justa e igualitária, que respeita e promove os direitos humanos e sociais.

A cerimônia de abertura, na noite do dia 7, no Memorial da América Latina, foi transmitida ao vivo pela internet. Entre os convidados, estiveram presentes o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a ministra Márcia Lopes, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, José Luiz Herencia, secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, e Gilda Pereira de Carvalho, subprocuradora Geral da República, além de representantes de entidades nacionais e internacionais da Psicologia.

O evento primou pelo rigor científico, garantindo qualidade e o desenvolvimento de um projeto ético e a valorização da democracia como forma de envolver a todos nessa construção. Todas as áreas de investigação da Psicologia estiveram representadas nas 4.279 atividades, entre conferências, simpósios, minicursos, mesas-redondas, simpósio, pôsteres, reuniões entre segmentos e entidades, lançamentos de livros e outras ações. Destaque para o III Diálogos Latino-americanos da Ulapsi - União de Entidades Latino-americanas de Psicologia, realizado durante o CBP.

O evento foi organizado pelas 21 entidades do Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira - FENPB, que compuseram sua Comissão Organizadora e sua Secretaria Executiva. Além disto, a Comissão Científica mobilizou 163 pareceristas na apreciação e avaliação dos trabalhos.Houve mais de 7 mil inscritos, de todos os Estados brasileiros e de vários países latino-americanos, movimentando, no tal, cerca de 120 mil profissionais. Números e ações que fazem o CBP ser considerado o maior encontro da Psicologia nacional.

A exemplo da edição anterior, em 2006, congressistas se reuniram na área externa do Memorial da América Latina e fizeram uma escultura humana, imitando um catavento, símbolo co III CBP.

Confira os eventos científicos do Congresso


FONTE: CRP06

Psicólogos se mobilizam pela jornada de 30 horas

O Conselho Federal de Psicologia, em conjunto com a Federação Nacional dos Psicólogos - Fenapsi, elaborou um manifesto pela redução da jornada de trabalho dos profissionais da Psicologia para 30 horas semanais. O documento será encaminhado aos deputados e senadores pela aprovação de projetos de lei que garantam condições adequadas de trabalho aos psicólogos.

O Sindicato dos Psicólogos de São Paulo - SinPsi convida os psicólogos a tomarem parte nesta mobilização, assinando o Manifesto e divulgando-o para sua rede de contatos. Os links para acessar os arquivos vêm a seguir. Os dois manifestos têm conteúdo igual
.

Confira:

Para os Senadores

Para os Deputados Federais


Manifesto em apoio à jornada de 30 horas para os psicólogos

Excelentíssimo(a),

Parabenizamos essa casa pela aprovação do PL que definiu a jornada de trabalho dos Assistentes Sociais em 30 horas semanais. Tal jornada faz justiça à qualidade e ao nível de especialização de uma profissão tão importante para a qualidade de vida e o exercício da cidadania da sociedade brasileira.

Ocorre que a nossa profissão, a psicologia, luta pela aprovação de uma lei no mesmo sentido. Nossa reivindicação é idêntica. Queremos regulamentar nossa jornada em 30 horas semanais.

Tal qual os Assistentes Sociais, os psicólogos querem garantir uma jornada compatível com o nível de especialização e com o desgaste que uma jornada estendida provoca. Reduzindo as horas trabalhadas, estamos protegendo o profissional e a ele garantindo melhores condições de trabalho que, ao final, se reverte em melhor qualidade dos serviços prestados. O ganho é também da população atendida.

Com a aprovação do PL dos Assistentes Sociais e com a sanção presidencial, ficam dirimidas as dúvidas quanto à legalidade ou constitucionalidade de um PL que contemple o anseio da psicologia. É possível afirmar que há em nosso favor, assim como houve para os Assistentes Sociais, argumentos consistentes, sendo questão de bom senso aprovar as 30 horas para os psicólogos.

Hoje já somos mais de 160 mil psicólogos no Brasil e, somente no Estado de São Paulo, 70 mil cadastrados. Uma categoria com essa magnitude merecerá seu voto favorável a uma causa tão desejada e de tão grande importância para o exercício da profissão.

Encaminharemos, o SinPsi e demais entidades representativas da categoria, uma proposta de PL em breve.

Esperamos contar com apoio de Vossa Excelência e com seu voto decidido em prol de nossa causa.

Atenciosamente,

Rogério Giannini
Presidente do Sindicato dos Psicólogos de São Paulo


O Manifesto também pode ser pesquisado no site do CFP.

FONTE: CRP06

VOTAÇÃO PARA ESCOLHA DA NOVA LOGOMARCA DO CRP-09

Após seleção prévia realizada durante a cerimônia de posse da diretoria, no dia 15 de outubro, O VII Plenário - Pluralidades escolheu três logomarcas e convidou os psicólogos de Goiás e Tocantins para votar na marca que preferirem via site. O prazo para participar da votação se encerrou na sexta-feira, 19.

Criadas pelo designer Ricardo Junqueira, as novas logomarcas têm como objetivo expressar a diversidade e dinamismo da Psicologia, considerando como inspiração a letra grega "psi".

ANTROPOLOGIA DO DOM: ECONOMIA DAS TROCAS HUMANAS

Ciclo de Palestras

“PROUNI e Inclusão Social”


Maria Lucia Rodrigues
Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Ensino e Questões Metodológicas em Serviço Social- NEMESS PUCSP

Quarta feira dia 17/11, às 14h

“ Natureza Humana e Laço Social:homo economicus, homo donator, homo creator.”


Tereza Mendonça Estarque
Clinica Social de Psicanálise do Instituto de Estudos da Complexidade-IEC
Sexta feira dia 19/11, às 14h

Local: Cátedra Unesco de Leitura PUCRio
Marques de São Vicente, 225, Rio de Janeiro.
Tel.: (21) 3527-1961
Apoio: Cátedra Itinerante Unesco Edgar Morin - CIUEM
Entrada Franca
Vagas limitadas

Cordélia Brasil

Texto revolucionário de Bivar é apresentado em Sorocaba na próxima 4ª, com entrada franca

A peça só podia ter mesmo sua estreia em 1968, o famoso ano que, conforme o escritor Zuenir Ventura, “não terminou”. Mesmo com o Brasil de ponta cabeça, e a ditadura no contorno do país, o dramaturgo Antonio Bivar colocou em cena Cordélia Brasil, que provocou os conservadores com sua escancarada revolução sexual.

O projeto Letras em Cena apresenta o clássico texto de Bivar, em Sorocaba, na próxima quarta (24), com direção de Nelson Baskerville, no Auditório da CPFL Piratininga. O elenco traz, entre outros, Mauricio Machado e Gabriela Alves. A leitura acontece no Auditório da CPFL Piratininga, às 19h, com entrada franca.

Pensamento mais moderno
Na estreia da peça no Rio de Janeiro, em 1968, com direção de Emílio di Biasi e Norma Bengell no elenco, o autor Antonio Bivar recebeu do crítico Yan Michalsky (Jornal do Brasil), o julgamento: "Antonio Bivar é o pensamento mais moderno do teatro brasileiro". Vinte anos depois, outro crítico, Sábato Magaldi, foi incisivo: "Cordélia Brasil já é um clássico do moderno repertório teatral brasileiro".

Por Cordélia Brasil e por outra peça sua, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, Antonio Bivar recebeu todos os prêmios de Melhor Autor de 1968, em São Paulo (Molière, Governador do Estado e APCA). Por sua interpretação de Cordélia, Norma Bengell conquistou o Prêmio Governador do Estado de Melhor Atriz.


Serviço

Evento: Letras em cena – Leituras Dramáticas e Poéticas
Curadores: Clóvys Tôrres e Marina Mesquita
Local: Auditório da CPFL Piratininga
Av. Armando Pannunzio, 1555, Jd. Romilda. Sorocaba
Data: 24 de novembro
Horário: 19h
Programação gratuita. Entrada por ordem de chegada, a partir das 18h.
Mais informação em (19) 3756-8000
Classificação etária: sem restrições.
Informações: CPFL Cultura

Assessoria de Imprensa
Maria Claudia Miguel (Cacau)
Telefones: (19) 9743-2142; (19)7808-3547
Skype cacaumiguel1

Críticas à Cartilha Anti-Bullying do CNJ - Um risco ao senso crítico do leitor

por Gilson Matos

"(...) De autoria da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, essa cartilha apresenta alguns problemas graves, que podem suscitar interpretações distorcidas, até mesmo perigosas, mas que passaram despercebidas pelo senso crítico da autora e das autoridades que respondem solidariamente pela autoria deste projeto."

Leia o texto na íntegra no Recanto das Letras

novembro 16, 2010

seminário - Garantia de direitos de crianças e adolescentes

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MEC vai liberar livro de Monteiro Lobato

BRASÍLIA (AE) - Com base em críticas encaminhadas ao governo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, decidiu não acatar o polêmico parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que recomendava excluir “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, da lista de livros distribuídos às escolas. Divulgado na semana passada, o parecer apontou preconceito racial na obra, que conta a história da caçada de uma onça por Pedrinho e personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Mas, por decisão de Haddad, o parecer terá de ser revisto.

No máximo, haverá uma recomendação para que a editora inclua uma explicação do conteúdo do livro, publicado pela primeira vez em 1933, sobretudo quando trata de Tia Nastácia, empregada doméstica negra da história, e de animais como urubu e macaco. “Recebi muitas manifestações para afastar qualquer hipótese, ainda que por razões justificadas, de censura ou veto a uma obra, sobretudo de Monteiro Lobato”, disse o ministro. “Eu relativizaria o juízo que foi feito”, afirmou Haddad, sobre o parecer do CNE. E completou: “Pessoalmente, não vejo racismo”.

A legislação prevê que obras distribuídas à rede escolar tenham o conteúdo analisado e possam ser excluídas da lista por referências homofóbicas ou racistas. “Há casos em que livros devem ser afastados, mas não no caso de um clássico como ‘Caçadas de Pedrinho’.“

Fernando Haddad disse que vai respeitar o prazo de 30 dias para o recurso, contados a partir da divulgação do parecer do CNE, mas antecipou sua decisão de não homologar o texto pela “quantidade incomum” de manifestações de especialistas que, segundo ele, não veem prejuízo à adoção do livro nas escolas. “O conselho pode até recomendar que as editoras se preocupem em contextualizar referências racistas, sem mutilar a obra, puxar uma nota de rodapé e explicar”, disse Haddad.


FONTE: Folha de Pernambuco Digital

Brasil 2011: Estado festejará Ano Internacional dos Afrodescendentes distribuindo livro racista nas escolas

Eliane Cavalleiro*

A sociedade competitiva e os preconceitos geram uma violência que deve ser combatida pela escola. Ensinar a viver juntos é fundamental, conhecendo antes a si mesmo para depois conhecer e respeitar o outro na sua diversidade. A melhor maneira de resolver os conflitos é proporcionar formas de buscar projetos e objetivos em comum, através da cooperação, pois assim ao invés de confrontar forças opostas, soma-se a diversidade para fortalecer as construções coletivas (Jacques Delors, UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999).

De acordo com Delors, a transmissão de conhecimento sobre a diversidade humana, bem como a tomada de consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta constituem fundamentos da educação. Entretanto, às vésperas do Ano Internacional dos Afrodescendentes, o Ministério da Educação do Brasil rejeita consideração do Conselho Nacional de Educação, que atento às Leis que regem a Educação Nacional, pondera sobre a distribuição do livro de literatura infantil Caçadas de Pedrinho (1), de Monteiro Lobato, que, originalmente publicado no ano de 1933, difunde visão estereotipada sobre o negro e o universo africano, apresentando personagens negras subservientes, pouco inteligentes, até mesmo aludindo a animais como o macaco e o urubu quando se referem à personagem negra, como no trecho: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".

Os movimentos sociais negros há tempos reivindicam ação substantiva por parte do Estado brasileiro em políticas públicas para a educação das relações étnico-raciais. Os movimentos sociais brancos e a elite, por sua vez, recusam toda e qualquer medida que visa combater o racismo e seus derivados na sociedade brasileira. Por sua vez, identificam-se setores progressistas da sociedade que lutam pelos direitos humanos, direitos das mulheres, gays e indígenas, mas que infelizmente se calam diante da luta antirracista.

Na questão em debate, de maneira previsível, debocham da pesquisadora e professora universitária e conselheira do CNE Nilma Lino Gomes, responsável maior pelo parecer, que possui formação intelectual que não fica atrás de nossa elite branca, uma vez que possui doutorado pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra, sob orientação de um dos maiores nomes da intelectualidade atual, a saber, Boaventura de Sousa Santos. Mesmo com esse histórico intelectual, ela tem sido vista pelos racistas de plantão como incompetente e racista ao inverso. Isso somente reforça a obsessão pela continuidade da estrutura racista em nossa sociedade. Sobre o autor, Monteiro Lobato, nascido no século XIX, eugenista convicto, diz-se apenas ser uma referência clássica. Certamente uma clássica escolha da elite nacional, que do alto de sua arrogância e prepotência acredita que seus eleitos sejam intocáveis e não passíveis de qualquer crítica e consideração.

O MEC tem o dever de combater qualquer tipo de situação discriminatória para qualquer grupo racial. Assim, o que deve ganhar nossa atenção nessa contenda é o fato de que mesmo o edital do PNBE/2010, estabelecido pelo MEC/FNDE, ter traçado como objetivo a observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano e ter estabelecido, conforme anexo III do referido edital, que serão excluídas as obras que: 1.3.1. veicularem estereótipos e preconceitos de condição social, regional, étnico-racial, de gênero, de orientação sexual, de idade, temos um ministro que defende a distribuição irrestrita do livro por compreendê-lo como adequado para a educação de crianças em pleno processo de socialização.

Considerando que os doutos e doutas que administram o MEC leram Jaques Delors, Paulo Freire, Edgar Morin e tantos outros que adoram citar, não se pode alegar ingenuidade por parte da equipe diretiva do MEC, que aceitou parecer favorável à compra e à distribuição desse livro nas escolas públicas, cujo conteúdo fere o próprio edital por eles instituído. O que deve tomar o centro dessa discussão é o fato de o MEC anunciar uma política que vai ao encontro do disposto nas leis e também das reivindicações dos movimentos negros organizados, em nível nacional e internacional, mas na prática permitir o descumprimento de seu edital.

Ao ferir o edital, o próprio MEC abre precedente para que as editoras, cujas obras tenham sido excluídas por veicularem estereótipos, reivindiquem também a distribuição dos livros excluídos. Por que somente Lobato com estereótipo racial? Que tal o MEC também distribuir literatura sexista? Que tal textos com manifestações anti-semitas? Será que assim a sociedade se incomodaria?

Mas, por enquanto, mais uma vez magistralmente setores conservadores e/ou tranquilos com as consequências da discriminação racial nesta sociedade buscam inverter a discussão, de modo a que o maior problema passe a ser o tal racismo ao revés e a radicalidade dos movimentos negros, e joga-se para debaixo do tapete o que deveria ser o centro da análise: o esfacelamento dos objetivos de combater a disseminação de estereótipos e preconceitos na política do PNBE, MEC.

Sejamos de fato coerentes e anti-racistas, reconheçamos a não-observação aos critérios do estabelecidos no Edital do PNBE/2010, insistamos na pergunta e exijamos do MEC uma pronta resposta: o que de fato ele tem realizado, quanto tem investido e qual a consistência e a efetividade de suas realizações, sobretudo em comparação com o que tem investido nas demais questões ligadas à diversidade e aos grupos historicamente discriminados? Dos livros selecionados pelo PNBE 2010, quantos favorecem a educação das relações de gênero? Quantos promovem o conhecimento positivo sobre a história e cultura dos povos indígenas? Se o MEC tivesse respeito por nós, seríamos informados sobre o cumprimento das metas para a implementação do artigo 26ª da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) (Lei n. 9394/96), que se refere à obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras, indo ao encontro de tratados internacionais como a Convenção Contra a Discriminação na Educação (1960) e o Plano de Ação decorrente da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata (2001), ambos sob os auspícios da Unesco.

Em 17 de abril de 2008, em entrevista à Agência Brasil, após receber críticas sobre o retrocesso nas políticas para o combate ao racismo, o diretor do Departamento de Educação para Diversidade e Cidadania do MEC, Armênio Schmidt, confirmou a suspensão da distribuição de material didático e de ações de formação de professores na área étnico-racial em 2007. Segundo ele, a interrupção, apenas externa, nas ações voltadas à questão racial ocorreu por causa das mudanças no sistema de financiamento do MEC. Para o diretor tal suspensão se justificava pelo fato de o MEC estar, em 2007, construindo uma nova forma de indução de políticas, de relação com estados e municípios, que foi o Programa de Ações Articuladas. Para ele: Durante [aquele] ano ... [2007] realmente não houve publicações e formação de professores. Mas, na nossa avaliação, não houve um retrocesso, porque isso vai possibilitar uma nova alavanca na questão da Lei [10.639]. Agora estados e municípios vão poder solicitar a formação de professores na sua rede, e o MEC vai produzir mais publicações e em maior número (2).

Em 2010, além de não percebermos o fortalecimento da política, tampouco a retomada das publicações e uma consistente e sistemática formação de professores, flagramos o MEC permitindo a participação de livro cujo conteúdo veicula estereótipos e preconceitos contra o negro e o universo africano, constituindo assim flagrante inobservância das normas estabelecidas.

O atual presidente Lula, em seu começo de mandato, evidenciou, no campo da educação, a importância do combate ao racismo, promulgando a Lei 10.639/03, que, como já mencionado, alterou a LDB, tornando obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileiras na Educação Básica. Tal alteração contou com a pronta atenção do CNE, que, sob responsabilidade da conselheira Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, elaborou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino das Relações Étnico-Raciais e de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (CNE/CP 3/2004), cuja homologação foi assinada pelo então ministro da Educação, Tarso Genro. Contudo, embora conte com 83% de aprovação por parte da população e tenha ao longo de seu mandato visitado várias vezes o continente africano e discursado eloquentemente sobre a necessidade de reconhecimento do valor dos afrodescendentes na formação de nosso Estado Nacional, ele encerra seu mandato permitindo um declínio acentuado na elaboração e na implementação de políticas anti-racistas no campo da educação.

Se em 2003 podíamos reconhecer, ainda que timidamente, o fato de o combate ao racismo fazer parte da agenda política brasileira; em 2010, devemos denunciar o descompromisso com essa luta. Descompromisso que pode ser percebido pela redução acentuada do orçamento para a educação das relações raciais, pelo enxugamento da equipe de trabalho da Coordenação Geral de Diversidade e Inclusão educacional/SECAD/MEC, responsável pela implementação das ações de diversidade étnico-racial. Ainda vale ressaltar que houve a retirada do portal de diversidade da rede do MEC; a interrupção de publicações sobre o tema para a formação de profissionais da educação, pelo frágil apoio que das secretarias de educação para o cumprimento do proposto no parecer CNE/CP 3/2004. Essas constituem algumas referências negativas, entre várias outras apontadas pelos estudos sobre o tema.

Nós negros, cidadãs e cidadãos, que trabalhamos duramente longos anos para a eleição do presidente Lula esperávamos mais. Esperávamos mais tanto do presidente quanto da sua equipe executiva que administra a educação brasileira. Esperávamos minimamente que ao longo desses anos a equipe tivesse compreendido o alcance e o impacto do racismo em nossa sociedade. Esperávamos que eles, respeitando os princípios de justiça social, independentemente dos grupos no poder, emitissem manifestações veementes pelo combate ao racismo na educação. Pelo visto as promessas de parcerias e acolhimento das nossas considerações eram falsas.

O que temos como resposta, para além do silêncio de toda Secretaria de Educação, Alfabetização e Diversidade, é o posicionamento por parte do ministro, que não vê racismo na obra, colocando-se favorável à sua distribuição irrestrita, que, em companhia de outros elementos no cotidiano escolar, sabemos, contribuirá para a formação de novos indivíduos racistas, como já se fez no passado. Sem dúvida, o discurso do ministro mostra-se engajado com sua própria raça, classe e gênero. O mais irônico é saber que em pleno século XXI o Brasil será visto como um país que avança na economia e retrocede nos direitos humanos da população negra.

Muitos admiram Monteiro Lobato. Eu admiro Luiz Gama que se valeu das páginas da imprensa em defesa da liberdade dos escravizados e disse, sintetizando nossa ainda atual resistência cotidiana: Em verdade vos digo aqui, afrontando a lei, que todo o escravo que assassina o seu senhor, pratica um ato de legítima defesa. O conhecimento é a arma que dispomos para lutar pela defesa de nossa história, nossa existência, bem como do futuro de nossos filhos e filhas. Essa é uma luta desigual, portanto desonesta. Mas ainda que muitos queiram nosso silêncio, seguiremos lutando e denunciando essa forma perversa de racismo que perdura na sociedade brasileira.


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(1) Tal obra foi selecionada pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola/2010, que objetiva a seleção de obras de apoio pedagógico destinadas a subsidiar teórica e metodologicamente os docentes no desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem nos respectivos campos disciplinares, áreas do conhecimento e etapas/modalidades da educação básica(Brasil. Edital PNBE 2010. Brasília: MEC/FNDE, 2010).

(2) Agência Brasil. Pesquisadora aponta retrocesso na política de combate ao racismo nas escolas. Disponível em:
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=216721&modulo=450 . Acessado em: novembro de 2010.

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Os grifos são de MLG
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Os créditos de Eliane Cavalleiro foram incluídos por MLG, pelas razões óbvias que o texto impõe.

* Eliane Cavalleiro é Doutora em Educação - USP. Foi consultora UNESCO - Oficina Regional de Educação para América Latina e Caribe/OREALC, responsável pelo desenvolvimento da pesquisa: Discriminación y Pluralismo: Valorando la Diversidade em la Escuela. Atuou como Coordenadora Geral de Diversidade e Inclusão Educacional, na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade MEC (2004 a 2006). Livros: Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil, Contexto, 2000; Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola, Selo Negro/Summus, 2001; Veredas das noites sem fim: socialização e pertencimento racial em gerações sucessivas de famílias negras , Editora UNB. Docente na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília-UNB, tutora do Programa de Educação Tutorial (PET) da Faculdade de Educação. Foi Presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as).

FONTE: Coletivo Francisca Trindade

novembro 12, 2010

I Seminário sobre Tortura e Violência

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) realizam nos dias 22 e 23 de novembro de 2010 o I Seminário sobre Tortura e Violência no Sistema Prisional e no Sistema de Cumprimento de Medidas Socioeducativas.

O evento, que acontece na Escola da Magistratura Federal (Esmafe), em Brasília/DF, objetiva capacitar magistrados a identificar casos de prática de tortura e suas consequências.

A iniciativa faz parte do planejamento estratégico do CNJ para melhorar a administração da justiça criminal e buscar novos paradigmas na área, com vistas ao aperfeiçoamento dos serviços judiciários, do sistema de justiça e da prestação jurisdicional.


FONTE: CNJ

CNJ lança cartilha de combate ao bullying em Brasília

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou no dia 20 de outubro de 2010, cartilha para ajudar pais e educadores a prevenir o problema do bullying nas suas comunidades e escolas. O material foi apresentado no seminário do Projeto Justiça na Escola, que aconteceu na Escola de Magistratura Federal (ESMAF), em Brasília.

A autoria da publicação é da médica psiquiatra, Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, que também escreveu o livro “Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas” sobre o mesmo tema, que prejudica a vida social de milhares de crianças e adolescentes no mundo todo. Considerado como formas de violência física ou psicológica contra pessoa incapaz de se defender, o bullying também foi tema de palestra e debate da médica psiquiatra Suely Marcondes e do professor José Afonso Mazzon.

Iniciativa - O objetivo do Projeto Justiça na Escola, do CNJ, é aproximar o Judiciário e as instituições de ensino do país no combate e na prevenção dos problemas que afetam crianças e adolescentes.


CARTILHA


FONTE: texto adaptado de CNJ

EM CINE - Janela da Alma

EM CINE - CICLO DE DEBATES

Sobre relacionamentos familiares
Toda última 4ª feira do mês será exibido um filme, acompanhado de debate coordenado por um profissional especializado

Exibição do filme:

Janela da Alma

João Jardim e Walter Carvalho (BRA, 2002)

Tema:

A experiência de ver e de não ver: reflexões e diálogos entre fenomenologia e gestalt-terapia

Sinopse:

No documentário, dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual, da miopia discreta à cegueira total, falam como se vêem, como vêem os outros e como percebem o mundo. São compartilhados significados de ver e de não ver em um mundo saturado de imagens e a importância das emoções como elemento transformador da realidade.

Coordenação do debate:

Monica Botelho Alvim

Professora do Instituto de Psicologia da UFRJ e do Instituto de Gestalt-terapia de Brasília (IGTB), doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Psicologia Social e do Trabalho/UnB e especialista em Gestalt-terapia pelo IGTB

Data: 24 de novembro 2010 (4ª feira)
Horário: das 17:30 às 20:30
Local: UERJ, Rua São Francisco Xavier, 524,
10º andar, Bloco D, sala 10.030, SPA - Maracanã
Inscrições no local
Informações: (21) 2334-0872 ou proadol@uerj.br

Conferimos declaração de participação

ENTRADA FRANCA

Realização:

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
Instituto de Psicologia- IP
Programa de Formação em Direitos da Infância e da Juventude - Pró-Adolescente

Gestalt-terapia X Constelação Familiar

Contato – Núcleo de Estudos e Aplicação da Gestalt-terapia

Entrevista com Paula Nascimento no programa Dois Pontos da Psicológica TV sobre Gestalt-terapia X Constelação Familiar.

Metade dos adolescentes que se tratam de depressão tem recaída

09/11/2010 - 19h52

PAM BELLUCK
"THE NEW YORK TIMES"

Cerca de metade dos adolescentes que se recuperaram de uma grande depressão ficaram deprimidos novamente dentro de cinco anos, independentemente do tratamento ou terapia recebidos para superar a depressão inicial, de acordo com um novo estudo.

O estudo, publicado recentemente no "Archives of General Psychiatry", também descobriu que as meninas tiveram maior tendência a ter outra grande depressão, o que surpreendeu os pesquisadores, pois, quando adultas, as mulheres não vêm sendo consideradas com maior probabilidade de recorrência do que os homens.

No estudo, quase 200 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, receberam fluoxetina (Prozac) por 12 semanas, terapia comportamental cognitiva, ambos, ou um remédio de placebo (os que não receberam terapia cognitiva se encontravam com um psiquiatra para apoio básico). Os que tomaram placebo e não melhoraram após 12 semanas poderiam escolher qualquer um dos outros tratamentos.

Os pesquisadores já tinham descoberto anteriormente que os jovens que recebiam a combinação de tratamento Prozac mais terapia cognitiva se recuperavam mais rapidamente da primeira depressão. Assim, eles esperavam que esses adolescentes tivessem menor tendência a cair em depressão novamente.

Porém, isso não ocorreu. Após 36 semanas, a melhoria foi similar para todos, disseram os pesquisadores, e em dois anos a maioria dos jovens se recuperou completamente. No entanto, em cinco anos 47% dos adolescentes sofreram outra grande depressão, independentemente do tratamento que os tinha ajudado na recuperação da anterior.

"Parece que ainda não temos um tratamento que realmente previna a recorrência", disse o principal autor do estudo, John Curry, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Duke University. "Não temos um indicador, enquanto a pessoa está em tratamento, do grau de proteção contra uma recorrência."

Os pesquisadores também esperavam que os jovens que melhoraram e se recuperaram no período das 12 semanas teriam menos chance de recorrência no futuro. Mas isso não aconteceu, embora os adolescentes que não melhoraram nem um pouco após as 12 semanas tiveram maior tendência a sofrer outra depressão após a recuperação do que os que apresentaram pelo menos algum progresso nesse período. Os adolescentes que também sofriam de ansiedade tiveram maior tendência a entrar em depressão novamente.

"É um estudo muito importante", disse Aradhana Bela Sood, diretora médica do Centro de Tratamento Infantil da Virgínia, que não esteve envolvida na pesquisa. "Quando aconselhamos as famílias, podemos dizer que há uma chance de 50% de que a depressão volte a ocorrer. Agora que sabemos que ser mulher e sofrer de ansiedade as predispõe, certamente isso me fará focar mais na população com esse perfil."

Curry afirmou que, embora se saiba que as meninas estejam mais propensas a sofrer depressão inicial, não ficou claro por que 57% das garotas que se recuperaram entraram em depressão novamente, em comparação a 33% dos meninos. "Talvez isso tenha a ver com algo que ocorre nas meninas de certa idade, eventos estressantes na vida ou a forma como as pessoas lidam com o estresse", ele disse.

Sood afirmou que isso pode estar relacionado a mudanças hormonais ou que "as mulheres tendem a se irritar mais, então o menor estresse é multiplicado".

David Brent, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, que não esteve envolvido na pesquisa, se perguntou se mais meninas apresentaram "um tipo de depressão mais puro do que o observado em meninos", ele disse. "Talvez mais garotos se metem em problemas e ficam tristes, mas quando o problema vai embora eles se sentem melhor."

A maioria dos jovens que entrou novamente em depressão teve apenas um episódio em cinco anos, mas alguns tiveram dois ou três. A idade dos adolescentes não fez diferença.

Curry afirmou que uma limitação do estudo foi que os pesquisadores não observaram eventos específicos na vida dos jovens para ver se alguns encontraram mais estresse do que outros. Sua equipe planeja examinar se os que receberam tratamento com terapia ou medicamentos ao longo dos cinco anos tiveram maior ou menor tendência a sofrer outra depressão.

"Não sabemos se o distúrbio é recorrente porque é recorrente ou porque algo acontece ao jovem depois do primeiro episódio que o torna mais vulnerável a outra depressão", disse Brent. O estudo "aponta a necessidade de algum tipo de cuidado posterior para prevenir a recorrência", ele disse, "e salienta que o que estamos fazendo hoje não é o suficiente".


FONTE: Folha.com

novembro 11, 2010

Brincadeiras: pesquisa, experimentação e sistematização

Confira as três situações para fazer do brincar uma aprendizagem verdadeira e útil para a meninada da pré-escola

Pesquisa: Momento em que as crianças conhecem outras brincadeiras ou descobrem a história e as distintas formas de realizar as diversões de que já desfrutam.

É papel do educador agir como mediador, convidando todos à investigação. Aproveite a curiosidade dos pequenos e incentive-os na busca sobre a origem da brincadeira em questão, as questões culturais relacionadas a ela etc. Nesse processo, livros, vídeos, fotografias e sites são grandes aliados, mas também vale estender os horizontes com visitas a museus, parques e até à residência das crianças, onde familiares podem ajudar com as próprias experiências.

Durante a investigação, é importante realizar conversas constantes com a turma, questionando o que já foi encontrado, quais informações mais chamaram a atenção e também quais as relações entre a novidade e o que já se sabe.

A criançada da pré-escola da Escola de Educação Infantil Amuno, em Osasco, na Grande São Paulo, gosta muito das brincadeiras de correr, como pega-pega, mas sempre brincava seguindo as mesmas regras porque não conhecia outras variações possíveis. Cientes dessa realidade, que precisava ser transformada, a coordenadora pedagógica Sônia Souza e a educadora Gerlaine Araújo dos Santos planejaram situações de pesquisa com os familiares da turma a respeito dessas várias possibilidades para brincar. "Depois, incorporamos à atividade a consulta em livros, vídeos e sites e o grupo ficou entusiasmado com as descobertas", conta Gerlane. "O resultado foi um grupo com muitas expectativas para colocar as novidades em prática e ensiná-las aos amigos também" (assista ao vídeo Brincadeiras de correr na pré-escola).

- Experimentação Hora da vivência, do brincar propriamente dito, incorporando as novidades aprendidas com a pesquisa. Diante de novas regras ou novas maneiras de movimentar o corpo ou de falar, por exemplo, os pequenos são estimulados a comparar atentamente o que pesquisaram com a prática e também a perceber as dificuldades e as relações com outras brincadeiras conhecidas. É importante que isso seja feito em ocasiões próximas à atividade anterior para que o tema pesquisado não fique perdido e descontextualizado.

Nessa situação, você precisa proporcionar espaço e materiais - sem restringir as ações e a criatividade das crianças. O importante é garantir que todos tenham recursos para explorar. "É papel do educador observar se as referências pesquisadas foram incorporadas, ainda que de forma adaptada. Se a turma insistir em brincar com o que já conhece, por exemplo, vale remeter novamente à pesquisa, citar os pontos descobertos e convidar à experiência", diz Maria Aparecida Mello, da UFSCar (leia a atividade).

Pular corda em dupla, mudar o ritmo e até usar duas cordas ao mesmo tempo já faz parte das brincadeiras na AME Creche Casa do Aprender, em Osasco, na Grande São Paulo, graças ao planejamento da educadora Maria Aparecida de Moraes Muller, responsável pela pré-escola. "É muito interessante perceber que, durante a vivência, os pequenos nem sempre se contentam com as regras que já conhecem, somadas às que pesquisaram e inventam muitas outras mais", afirma.

- Sistematização: Situação na qual a criança registra aquilo que pesquisou e vivenciou, desenhando, participando de rodas de conversa ou elaborando textos coletivos tendo o educador como escriba, entre outras possibilidades.

É o momento de observar se todo o processo foi realmente compreendido, se é preciso retomar alguma situação ou ainda se é válido dar continuidade a mais pesquisas e vivências. É importante destacar que esse momento não pode ser considerado o foco principal do trabalho: a finalidade não é fazer um desenho depois, por exemplo. O que vale é compreender que as representações servem para formalizar o aprendizado.

Muito dedicados a brincar de jogar futebol, os pequenos do Núcleo de Educação da Infância da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram convidados a elaborar um texto coletivo e ilustrar o material, revelando o que sabiam. "As produções mostraram que eles conheceiam muito sobre as posições dos jogadores no campo e as regras do jogo", conta a educadora Keila Barreto.

Nesse tipo de atividade, é fundamental combinar a especificidade da brincadeira com o tipo de representação proposto. Ou seja, a passagem de uma linguagem a outra. Desenhar como se pula amarelinha, por exemplo, não é a melhor maneira de demonstrar como, de fato, isso é feito. Essa linguagem não garante que o conteúdo seja bem explicado. "O desenho, nesse caso, tem apenas caráter estético - é somente um apoio gráfico -, que não necessariamente ajuda a criança a pensar e transmitir o que ela experimentou", observa Monique (leia a atividade).

Uma opção mais eficiente é pedir às crianças que ensinem aos colegas de outra turma o que aprenderam. Nesse momento, sim, o desenho pode ser útil. A elaboração de textos coletivos também requer cuidados. A atividade precisa ser bem dirigida. Perguntas do tipo "Como vocês brincaram?", "O que perceberam de diferente?" e "Alteraram alguma regra? Por quê?" servem para dar início às conversas e reunir informações para a produção.


FONTE: Nova Escola

2º WCTI – Workshop de Ciência, Tecnologia e Inovação

Dias 11 e 12 de novembro de 2010
08:30 às 18:00 horas

Capela Ecumênica da UERJ

O Workshop apresenta 5 mesas (Saúde, Energia, Meio Ambiente, Tecnologia Social e Inovação e Desenvolvimento) que tem o objetivo de discutir as políticas de inovação do Estado do Rio de Janeiro para os próximos anos.

Programação completa no site da UERJ

Confirmar presença através dos e-mails
iurysalles@hotmail.com
facruas@gmail.com
ou pelo telefone (21) 2334-0044 com Iury ou Felipe.

O evento é gratuito.

novembro 09, 2010

Palestra na EACH discute implicações psicológicas do aborto espontâneo

USP Online

O curso de Obstetrícia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da zona leste da USP, recebe, dia 24, às 10 horas, as psicólogas Sandra Cunha, coordenadora do Departamento de Psicologia e vice-presidente da ONG Associação Artémis (de Portugal) e Márcia Maria Coelho Rodrigues, especialista em grupanálise pela Unicamp e colaboradora da Associação Ártemis.

Elas ministrarão a palestra Quando os filhos morrem antes de nascer..., que tratará das perturbações psicológicas decorrentes do aborto espontâneo.

As inscrições gratuitas, devem ser feitas pelo site do evento.

A EACH fica na Rua Arlindo Béttio, 1000, Ermelino Matarazzo, São Paulo.

Mais informações: USPnet

Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas se reúne a partir de hoje

08.11.10 - BRASIL

Tatiana Félix
Jornalista da Adital

FONTE: Adital

Começou hoje (8) em Belo Horizonte, Minas Gerais, o I Encontro Nacional da Rede de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que reúne cerca de 200 pessoas, entre representantes de órgãos governamentais e de organizações não-governamentais, pesquisadores e outros, que lidam com o enfrentamento, prevenção ou atendimento às vítimas do tráfico humano. O evento segue até a próxima quarta-feira (10).

Durante os três dias do encontro serão compartilhadas as mais diversas experiências na área. Um dos principais focos é a avaliação do I Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, desenvolvido pelo Governo Federal, com participação de vários ministérios, e o direcionamento para a elaboração do II Plano.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, participou da abertura juntamente com representantes de outros 11 ministérios e de mais de 30 organizações não-governamentais, pesquisadores e representantes de entidades que atuam no enfrentamento ao tráfico e comércio de vidas humanas. Representado por Dina Prado, o Instituto de Estudos de Direito e Cidadania (IEDC) participa dos trabalhos que envolvem a prática da prevenção ao tráfico.

Como metodologia e dinâmica do encontro, os e as participantes se dividirão em grupos e trabalharão por temáticas como: Prevenção ao Tráfico de Pessoas, Repressão ao Tráfico de Pessoas e responsabilização de seus atores e Atenção às vítimas. As conclusões de cada grupo serão apresentadas no final de cada dia.

Amanhã (9), o tema central será "Princípios, diretrizes, ações e monitoramento para a criação do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas". Nesta perspectiva, os grupos se reunirão e darão o direcionamento de acordo com as mesmas temáticas de prevenção, repressão e atendimento, tratadas no dia anterior.

No último dia, quarta-feira (10) será realizada uma plenária para a elaboração do Documento - Síntese, que apresentará as diretrizes, princípios e ações pensadas para a elaboração do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Encerrando o encontro da Rede, haverá o lançamento da publicação do I Prêmio Libertas e o lançamento dos editais do II Prêmio Libertas e do Prêmio Simone Borges.

Prêmios

O Prêmio Libertas foi criado pela Secretaria Nacional de Justiça em 2008, com o objetivo de estimular a reflexão e divulgar a pesquisa sobre o tráfico de seres humanos no Brasil. A iniciativa premia trabalhos com essa abordagem a partir das mais diversas perspectivas do conhecimento.

Para a segunda edição do Prêmio Libertas, os trabalhos deverão abordar o tema do tráfico de pessoas, tendo como foco o Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial Mulheres e Crianças, conhecido como "Protocolo de Palermo", bem como a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Já o Prêmio Abraçando o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas: Simone Borges Felipe, criado pelo Ministério da Justiça, é o reconhecimento da luta do pai de Simone Borges, João Borges, que teve a filha morta na Espanha, em abril de 1996, vítima de exploração sexual e da máfia da prostituição.

Com informações do Ministério da Justiça e do Ministério do Desenvolvimento Social.

Para salvar a vida: as mulheres no poder

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor

FONTE: Adital

Há uma feliz singularidade na atual disputa presidencial no Brasil: a presença de duas mulheres, Marina Silva e Dilma Rousseff. Elas são diferentes, cada qual com seu estilo próprio, mas ambas com indiscutível densidade ética e com uma compreensão da política como virtude a serviço do bem comum e não como técnica de conquista e uso do poder, geralmente, em benefício da própria vaidade ou de interesses elitistas que ainda predominam na democracia que herdamos.

Elas emergem num momento especial da história do país, da humanidade e do planeta Terra. Se pensarmos radicalmente e chegarmos à conclusão como chegaram notáveis cosmólogos e biólogos de que o sujeito principal das ações não somos nós mesmos, num antropocentrismo superficial, mas é a própria Terra, entendida como superorganismo vivo, carregado de propósito, Gaia e Grande Mãe, então diríamos que é a própria Terra que através destas duas mulheres nos está falando, conclamando e advertindo. Elas são a própria Terra que clama, a Terra que sente e que busca um novo equilíbrio.

Esse novo equilíbrio deverá passar pelas mulheres predominantemente e não pelos homens. Estes, depois de séculos de arrogância, estão mais interessados em garantir seus negócios do que salvar a vida e proteger o planeta. Os encontros internacionais mostram-nos despreparados para lidar com temas ligados à vida e à preservação da Casa Comum. Nesse momento crucial de graves riscos, são invocados aqueles sujeitos históricos que estão, pela própria natureza, melhor apetrechados a assumirem missões e ações ligadas à preservação e ao cuidado da vida. São as mulheres e seus aliados: aqueles homens que tiverem integrado em si as virtudes do feminino. A evolução as fez profundamente ligadas aos processos geradores e cuidadores da vida. Elas são as pastoras da vida e os anjos da guarda dos valores derivados da dimensão da anima (do feminino na mulher e no homem) que são o cuidado, a reverência, a capacidade de captar, nos mínimos sinais, mensagens e sentidos, sensíveis aos valores espirituais como a doação, o amor incondicional, a renúncia em favor do outro e a abertura ao Sagrado.

O feminismo mundial trouxe uma crítica fundamental ao patriarcalismo que nos vem desde o neolítico. O patriarcado originou instituições que ainda moldam as sociedades mundiais como: a razão instrumental-analítica que separa natureza e ser humano e que levou à dominação sobre os processos da natureza de forma tão devastadora que se manifesta hoje pelo aquecimento global; criou o Estado e sua burocracia, mas organizado nos interesses dos homens; projetou um estilo de educação que reproduz e legitima o poder patriarcal; organizou exércitos e inaugurou a guerra. Afetou outras instâncias como as religiões e igrejas cujos deuses ou atores são quase todos masculinos. O "destino manifesto" do patriarcado é do dominium mundi (a dominação do mundo), com a pretensão de fazer-nos "mestres e donos da natureza" (Descartes).

Atualmente, os homens (varões) se fizeram vítimas do "complexo de deus" no dizer de um eminente psicanalista alemão, K. Richter. Assumiram tarefas divinas: dominar a natureza e os outros; organizar toda a vida; conquistar os espaços exteriores e remodelar a humanidade. Tudo isso foi simplesmente demais. Não deram conta. Sentem-se um "deus de araque" que sucumbe ao próprio peso, especialmente porque projetou uma máquina de morte, capaz de erradicá-lo da face da Terra.

É agora que se faz urgente a atuação salvadora da mulher. Damos razão ao que escreveu anos atrás o Fundo das Nações Unidas para a População: "A raça humana vem saqueando a Terra de forma insustentável e dar às mulheres maior poder de decisão sobre o seu futuro pode salvar o planeta a destruição". Observe-se: não se diz "maior poder de participação às mulheres", coisa que os homens concedem, mas de forma subalterna. Aqui se afirma: "poder de decisão sobre o futuro". Essa decisão, as mulheres devem assumir incorporando nela os homens, pois caso contrário, arriscaremos nosso futuro.

Esse é o significado profundo, diria, providencial, das duas candidatas mulheres à presidência do Brasil: Marina Silva e Dilma Rousseff.

[Leonardo Boff escreveu com Rose Marie Muraro Feminino e masculino. Uma nova consciência para o encontro das diferenças (2002)].

Prefeitura confunde alergia com abuso sexual, manda menor para abrigo e é condenada a indenizar pais

Fonte: UOL Notícias

Em São Paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a Prefeitura de São José dos Campos (97 km de São Paulo) a indenizar em R$ 70 mil os pais acusados injustamente de abuso sexual contra a filha. O caso envolveu a ação de integrantes do Conselho Tutelar, que confundiram alergia com estupro, separaram a menina da família e a mandaram para um abrigo de menores, sem que os acusados fossem ouvidos.

O equívoco sobre o suposto abuso aconteceu em março de 2000, quando a criança tinha quatro anos. O caso só foi solucionado agora, mais de dez anos depois, pelo Tribunal de Justiça. A prefeitura ainda pode recorrer aos tribunais superiores em Brasília.

A confusão só foi desfeita com a intervenção do Ministério Público, que decidiu ouvir os pais e o médico que cuidava da criança. Os primeiros negaram qualquer abuso. O segundo esclareceu que a menina sofria de alergia. O médico contou que havia um quadro de irritação vaginal e que ele mesmo havia informado a escola sobre a situação.

Diante das provas, o promotor de justiça pediu à Justiça que determinasse a devolução da menina a seus pais. Inconformada com a atitude do Conselho Tutelar, a família ingressou com ação de indenização. Pediu R$ 70 mil pelo dano moral sofrido com a separação temporária da criança e a sua internação em um abrigo.

A Justiça de São José dos Campos aceitou em parte o pedido da família e mandou a Prefeitura pagar indenização de R$ 30 mil. O caso foi parar no Tribunal de Justiça de São Paulo. A Prefeitura pediu sua absolvição, e os pais, o aumento da indenização.

A prefeitura alegou que o Conselho Tutelar agiu de acordo com a lei. Segundo a defesa do município, quando se trata de suposto abuso sexual contra criança, cometido pelo seu pai, é dever da autoridade retirar a criança do convívio familiar. O objetivo seria evitar danos e constrangimentos maiores à menina caso as denúncias fossem confirmadas.

“É melhor assumir os riscos do que ignorar a possibilidade da menor continuar sofrendo abusos, e, se a denúncia não restou comprovada, o Conselho Tutelar não pode ser condenado por cumprir seu dever legal”, sustentou a Procuradoria do Município.

O casal argumentou que a atitude dos conselheiros foi ilícita e que o valor da indenização deve ser aumentado pela dor e sofrimento experimentado por eles e pela criança.

O Tribunal condenou a forma como o Conselho Tutelar conduziu a investigação do suposto abuso sexual, que depois foi comprovado como inexistente. A câmara que julgou o recurso entendeu que o valor fixado pelo juiz de São José dos Campos foi muito baixo para compensar o sofrimento das vítimas do abuso e determinou que a indenização seria de R$ 70 mil.

Centro de Estudos Claudio Ulpiano

Aula de 06/01/1994

Eikasia: uma ilusão percorre o mundo sensível

Posted: 08 Nov 2010 08:32 PM PST
Eikasia: Parte 1
Eikasia: Parte 2
Aula centrada no livro Lógica dos Sentidos, de Gilles Deleuze

A fascinação do começo – Paulo Domenech Oneto


Posted: 08 Nov 2010 05:02 PM PST

A questão do começo é sempre uma questão difícil, não apenas em filosofia, mas na vida e no pensamento em geral. Aliás, é exatamente por se tratar de uma questão difícil na vida e no pensamento em geral que ela se torna relevante e também difícil para a filosofia. Falo de começo em diversos sentidos
. [...]

Centro de Estudos Claudio Ulpiano

XXXIII Congresso Interamericano da Sociedade Interamericana de Psicologia

Nova etapa de inscrições com desconto para o XXXIII Congresso Interamericano da Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP), que será realizado em Medellín, na Colômbia, entre 26 e 30 de junho de 2011, começou em 1º. de novembro.

Informações e Inscrição na página da SIP para saber das condições e prazos.

Para obter descontos é importante que se filie à SIP o que permitirá que, além de obter descontos nos congressos regionais e interamericanos, você receba três números
anuais da Revista Interamericana de Psicologia RIP na qual poderá publicar e divulgar seus trabalhos e pesquisas atuais. Terá acesso, ainda, ao Boletim Interamericano de Psicologia.

Você pode rá também participar dos grupos de trabalho compostos pelos membros da SIP, nos quais poderá propor o desenvolvimento de trabalhos conjuntos com membros de
todos os países da SIP, além de trocar experiências e discutir temas de seu interesse, receber informações atualizadas sobre a Psicologia científica e profissional por meio da Rede Interamericana de Psicologia, além de desfrutar
de outros benefícios.

As filiações feitas agora terão validade para o ano de 2011 e permitirão inscrição no Congresso com desconto. A melhor de fazê-la é por meio de cartão de crédito.
Se tiver qualquer dúvida, entre em contato com Alacir Cruces, Representante da SIP para o Brasil pelo email alacircruces@uol.com.br

3ª EXIBIÇÃO NO ESPAÇO CINE PSI

CRP-RJ/BAIXADA FLUMINENSE


Aos Psicólogos e estudantes, Assistentes Sociais, Pedagogos, Professores, Fisioterapeutas e outros profissionais que cuidam das causas sociais da região da Baixada Fluminense:

A Comissão Gestora do CRP-RJ/Baixada Fluminense convida para a 3ª encontro do ESPAÇO CINE PSI com a exibição do filme, seguido de debate:

FILHAS DO VENTO


O filme aborda a temática das RELAÇÕES RACIAIS.

Subsede do CRP-RJ da Baixada Fluminense
Rua Sebastião Herculano de Mattos nº 41
Centro, Nova Iguaçu
próximo à estação do trem e Cruz Vermelha de Nova Iguaçu

dia 11/11/10, 5ª feira
17:30 h às 20:30 h

Contato: Tel/Fax: (21) 2768-0007
E-mail: subsedeni@crprj.org.br

Comissão Gestora Subsede Baixada Fluminense/CRP RJ



SINOPSE DO FILME

O filme Filhas do Vento se baseia numa lírica história de redenção amorosa entre irmãs, mães e filhas, em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, onde os fantasmas da escravidão e do racismo acentuam os dramas de forma sutil e poderosa. Segundo Zé das Bicicletas (Mílton Gonçalves), as herdeiras do vento são mulheres que não criam raízes, que teimam com idéias irreais. No caso das suas duas filhas, Cida (Taís Araújo) e Ju (Thalma de Freitas), foi a primeira, mais velha, quem puxou a "ventania" da mãe. Ao contrário da irmã, Cida não gosta de morar no interior de Minas Gerais, prefere o romantismo urbano das radionovelas - e sonha em ser atriz. Ju é mais caseira, mais família. Esse conflito aumenta com o tempo e 45 anos depois de afastadas, as irmãs se reencontram no velório do pai.

Primeiro longa de ficção de Joel Zito Araújo, o drama possui um cunho político e social, no qual o diretor substitui os tradicionais papéis estereotipados por uma rica construção de personagens. Gênero: Ficção. Ano de Produção: 2004. Direção: Joel Zito Araújo.Duração:90min

EMERJ - FÓRUNS PERMANENTES

O Diretor-Geral da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – EMERJ e o Presidente do Fórum Permanente de Direitos Humanos, Des. Sérgio de Souza Verani, convidam para a

21ª Reunião

“A PRÁTICA DOS SABERES PSICOLÓGICO E JURÍDICO NA EXECUÇÃO PENAL - O EXAME CRIMINOLÓGICO”


dia 17 de novembro de 2010
09h00min às 12h00min

Auditório Antonio Carlos Amorim – EMERJ
Avenida Erasmo Braga, nº. 115 - 4º andar - Palácio da Justiça
Centro – RJ.

programa:

9h00 ABERTURA

DES. SÉRGIO DE SOUZA VERANI
Presidente do Fórum Permanente de Direitos Humanos

9:15 MESA REDONDA

DESEMBARGADOR GERALDO LUIZ MASCARENHAS PRADO
Quinta Câmara Criminal do TJ/RJ

DRA. DENISE GEVAERD SIGWALT
Psicóloga da SEAP

DRA. VILMA DIUANA DE CASTRO
Psicóloga da SEAP

11h00 DEBATE

Serão concedidas horas de estágio pela OAB.

Poderão ser concedidas horas de atividade de capacitação pela ESAJ aos serventuários que participarem do evento (Resolução nº. 17/2006, art. 4º, inciso II e § 3º, incisos I, II e III, do Conselho da Magistratura)

Inscrições gratuitas exclusivas pelo site da EMERJ - www.emerj.tjrj.jus.br

Tels: (21)3133-3369/3133-3380

novembro 05, 2010

Patrice Ville e Christiane Gillon na UERJ

O Curso de Especialização em Psicologia Jurídica e o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, ambos da UERJ, convidam para um encontro com Patrice Ville e Christiane Gillon, da Universidade Paris 8.

En pensant aux institutions dans la contemporanéité.

Pensando as instituições na contemporaneidade


Terça-feira: 9/11 - 14 h.
Local: UERJ, Instituto de Psicologia
Rua São Francisco Xavier, 524/ sala 10.010 bl. F.

ANTROPOLOGIA DO DOM: ECONOMIA DAS TROCAS HUMANAS

Ciclo de Palestras

Sexta feira dia 05/11, às 14h
Prof Frédéric Vandenberghe (Instituto Sociais e Políticos – IESP/UERJ)

“Espelhos da Modernidade: Marx X Mauss”


Local: Cátedra Unesco de Leitura PUCRio
Marques de São Vicente, 225, Rio de Janeiro.
tel 3527-1961
Entrada Franca
Vagas limitadas

VII Semana de Psicologia da UERJ



A Psicologia UERJ convida alunos, professores e interessados para participarem da VII Semana de Psicologia, a ser realizada entre os dias 08 e 12 de novembro de 2010.
Mesas redondas, posteres, comunicações orais, fóruns, etc.

Apresentação da peça:

“Depois que meus pais se separaram...”


O texto versa sobre as diferentes experiências de jovens diante da separação dos pais. O enredo foi baseado em resultados de pesquisa realizada com filhos de pais separados, com idade entre 21 e 29 anos.

A apresentação da peça será seguida de debate.

Data: 09.11.10 – Terça-feira (Semana de Psicologia da UERJ)
Local: Auditório 93 – 10º andar
Horário: 17h às 18:30

Psychological Research

Volume 1 / 1922 - Volume 74 / 2010

Acesso aberto

Predicting and manipulating the incidence of inattentional blindness
Anne Richards, Emily M. Hannon and Nazanin Derakshan


Re-examining the contribution of visuospatial working memory to inhibition of return
Ana B. Vivas, Ioanna Liaromati, Elvira Masoura and Katerina Chatzikallia

Inhibitory interaction: the effects of multiple non-predictive visual cues
Troy A. W. Visser and Daniel Barnes

Route and survey processing of topographical memory during navigation
Luca Latini-Corazzini, Marie Pascale Nesa, Mathieu Ceccaldi, Eric Guedj and Catherine Thinus-Blanc, et al.

Encoding of variability of landmark-based spatial information
Bradley R. Sturz and Kent D. Bodily

Task conflict effect in task switching
Ami Braverman and Nachshon Meiran


Keeping an eye on the violinist: motor experts show superior timing consistency in a visual perception task
Clemens Wöllner and Rouwen Cañal-Bruland


Conscious thought beats deliberation without attention in diagnostic decision-making: at least when you are an expert
Sílvia Mamede, Henk G. Schmidt, Remy M. J. P. Rikers, Eugene J. F. M. Custers and Ted A. W. Splinter, et al.

Aquisição de livros importados e de bases digitais amplia acervo de universidades

Perla Esteves/Ascom Uenf

Bibliotecas universitárias que tenham acervo diversificado e de excelência constituem um forte subsídio à boa formação de estudantes e profissionais. Para isso, várias instituições de ensino e pesquisa fluminenses estão investindo na ampliação de suas coleções bibliográficas. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, os cerca de 130 mil volumes da Biblioteca Central do Gragoatá, em Niterói, ganharão um reforço de peso: o JSTOR e a Ebrary, duas das mais importantes bases bibliográficas digitais, que estão sendo adquiridas pela universidade. Assim como a UFF, também a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro(UniRio) e outras 19 instituições de ensino e pesquisa estão investindo nessa área com recursos aportados pela FAPERJ por meio do edital para atualização dos acervos bibliográficos das instituições de ensino superior e pesquisa fluminenses, criado em 2009.

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o professor Vanildo Silveira está coordenando a ampliação do acervo da universidade, com a aquisição de novas obras. "Adquirimos mais de 700 exemplares, que foram distribuídos entre as quatro bibliotecas da universidade: no Centro de Biociência e Biotecnologia (CBB), no Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), no Centro de Ciências do Homem (CCH) e no Centro de Ciência e tecnologia (CCT)", diz Silveira. A iniciativa do projeto partiu, segundo Silveira, da pró-reitoria de graduação (Prograd), que há muito tempo buscava meios de atualizar os acervos bibliográficos da universidade. "Para elaborar a listagem para a compra, fizemos um levantamento dos principais títulos necessários a cada área do conhecimento do cursos oferecidos pela instituição: tecnológica, biológica, humana e agrária", diz o professor, lembrando que os beneficiados serão alunos de graduação e dos 13 programas de pós-graduação.

Segundo Vanildo, mais da metade dos livros comprados é importada, o que seria inimaginável sem os recursos obtidos por meio do edital da FAPERJ. "Os títulos importados são mais caros, sem falar dos obstáculos da importação", destaca Silveira. Para ele, a escassez de recursos e a exigência de licitação dificultam o processo de aquisição de obras pela maioria das universidades, principalmente as públicas. "Iniciativas dessa magnitude são importantes para garantir a atualização dos acervos bibliográficos das instituições do ensino superior", diz.

Para Silveira, essa aquisição é de grande importância, já que só se desenvolve ciência com qualidade quando os alunos e profissionais têm acesso à informação de ponta, seja em livros de referência ou em artigos científicos. Ele ressalva que, mesmo com a facilidade de buscar conhecimento nos meios virtuais, como o portal de periódicos, é importante manter o patrimônio literário atualizado, porque o conteúdo trazido nos livros é mais prático e melhor absorvido.

No caso da UFF, a ampliação do acervo de livros e outras publicações da Biblioteca Central do Gragoatá, estimado atualmente em 130 mil volumes, com a aquisição das bases bibliográficas digitais JSTOR e a Ebrary, representa uma contribuição para a qualificação de estudantes, pesquisadores e alunos. "A aquisição dessas bases está em processo de contratação, mas será um passo importante, já que fará com que a universidade triplique seu acervo bibliográfico", informa a professora Gizlene Neder, do Departamento de História e coordenadora do projeto "Bibliotecas Universitárias do Século XXI: Rede de Livros e Leitores no Século XXI". "Em relação ao JSTOR (abreviatura de Journal Storage), não estamos contratando a base integral, mas apenas a parte que o portal de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que já assina o JSTOR, deixa de fora." A professora estima que essa complementação é bem significativa, da ordem de dezenas de milhares de títulos.

Já o Ebrary está sendo contratado integralmente. Com um acervo constituído por livros digitais, periódicos, obras de referência, manuais e outras modalidades de publicação, a partir de parcerias com as 450 principais editoras do mundo, o Ebrary usa o Sistema ISIS, que converte arquivos PDF em bases de dados altamente interativas, em que cada palavra é identificada como uma entidade separada. Assinada pelas principais universidades do país, especialmente as de São Paulo, conta com cerca de 170 mil títulos.

Para facilitar o acesso a essas bases de dados, a Biblioteca Central do Gragoatá disponibilizará 38 computadores. O acesso será livre para estudantes, professores e pesquisadores de outras instituições de ensino, bastando que o interessado faça o seu cadastro e obtenha uma senha de acesso. Além de oferecer conteúdo digital, a Ebrary fornece também ferramentas de acesso, para pesquisa e gerenciamento de informação.

Segundo Gizlene Neder, trata-se de um projeto unificado e interinstitucional, em parceria do Departamento de História, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Para a implantação dessas bases de dados na biblioteca da UFF, o apoio logístico vem do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), da universidade. "Eles executarão a instalação da rede e se encarregarão da estrutura física e apoio técnico de acesso às bases de dados", diz a professora.

Para Martha Tupinambá de Ulhôa, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e membro do Conselho Superior da FAPERJ, o edital de Apoio à Atualização de Acervos Bibliográficos tem sido um importante aliado criado pela FAPERJ às universidades públicas fluminenses. "Com toda a ênfase que tem sido dada aos meios eletrônicos e às publicações seriadas, uma das coisas mais importantes sobre esse programa é a atualização das obras de referência. Acho que o livro continua sendo uma tecnologia insuperável e definitiva. Sou fã do portal de periódicos da Capes, mas acredito que, com o livro, você faz uma leitura mais refletida, e não uma leitura fragmentária, como nas mídias eletrônicas. Creio ainda que a atualização da bibliografia de referência deve ser acompanhada por uma atualização da bibliografia metodológica e teórica", pondera.

Já Humberto Machado, professor de História da UFF e membro do Conselho Superior da Fundação, acredita que o edital da FAPERJ, lançado em 2009, foi bastante oportuno, uma vez que não havia, no estado, programas voltados à atualização de acervos bibliográficos. "Quando pensamos nesse edital, tínhamos em mente que seria uma forma de a FAPERJ suprir uma grande carência, já que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por exemplo, não tem um programa específico e a Capes não atende satisfatoriamente essa demanda." Segundo Machado, essa carência não se restringe às universidades públicas, que é histórica, mas também das instituições privadas. "A lacuna maior é na área de ciências humanas, pois muitos cursos têm dificuldade de aquisição de títulos e, desta forma, também têm dificuldade para atender adequadamente seus estudantes", diz. Ele conclui enfatizando a importância do edital. "Ele é fundamental para o fortalecimento das próprias universidades e seus cursos de graduação e pós-graduação. Creio que é tão importante que deveria ser reeditado."




FONTE: © FAPERJ

Revista Antropos Online

Antropos

Número 04

Artigo 1
O Paradoxo do Empobrecimento do Habitat em Tempos de Biossociodiversidade
Paulo Sergio de Sena

Artigo 2
Mitologias, Ontologias, Cosmologias e História
Jocélia Barreto

Artigo 3
Nominalismo e Genitores
Julio Mellati

Artigo 4
Sagrado e Profano em Contextos Culturalmente Particulares
Ana Keila Mosca Pinezi

Artigo 5
Ritual e Performance na Construção Identitária da Umah Islâmica
Delano de Jesus Silva Santos

Artigo 6
Brasil: Infanticídio e Relativismo Multicultural
Solano Portela

Artigo 7
Etnias Indígenas Brasileiras - Relatório 2010
Ronaldo Lidório

Artigo 8
Os céus dos céus não te podem conter
David J. Phillips

Resenha 1
A Magia
Regis Augusto Domingues

Resenha 2
Fenomenologia da Religião
Marcos Flávio Portela Veras

II Simpósio Sion de Psicooncologia

"O cancer machuca"

Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo - Hospital São Joaquim
27 de novembro de 2010

Envio de resumo até 18 de novembro

Informações
sionservicosmedicos@uol.com.br

novembro 04, 2010

XVII FÓRUM DE PSIQUIATRIA

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UDA de Psicologia Médica

XVII FÓRUM DE PSIQUIATRIA - Controvérsias em Psiquiatria da Infância e Adolescência

dias 18 e 19 de novembro de 2010.

As inscrições para apresentação de tema livre estão abertas até o dia 05 de novembro de 2010.


Profa. Sheila Abramovitch
Coordenadora XVII FÓRUM DE PSIQUIATRIA

APOIO às resoluções que afirmam a vida

Estamos num momento de grande importância no debate sobre o exame criminológico, desde que foi publicada a Resolução 09/2010 pelo Conselho Federal de Psicologia, em junho desse ano, que regulamenta a prática do psicólogo no sistema penitenciário. Esta Resolução afirma os espaços possíveis de intervenção do psicólogo nesse campo e veda a prática do exame criminológico pelos psicólogos que trabalham nos estabelecimentos prisionais, por não ser um instrumento reconhecido pela psicologia e pelas questões éticas envolvidas nessa prática.

Evidentemente tal resolução evidenciou o jogo de forças entre a Psicologia e o Direito e entre a própria Psicologia. Além da Resolução 09/2010, suspensa provisoriamente por 6 meses, o CFP também emitiu mais duas resoluções que versam sobre a prática do psicólogo no poder judiciário: uma em relação a escuta de crianças e adolescentes ( Resolução CFP 010/2010) e outra sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico ( Resolução CFP 08/2010).

Tais Resoluções foram criticadas por algumas instituições da psicologia, entre elas, a Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e a Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental que emitiram um texto amplamente divulgado na internet.

Diante das críticas, um grupo de pessoas resolveu escrever uma carta-resposta, que solicitamos que leiam e, se concordarem, por favor, assinem, independentemente da profissão, no link que se segue: PETIÇÃO PÚBLICA



Maria Márcia Badaró Bandeira
CRP 05/2027

Graduada em Psicologia pela UGF, pós-graduada na área de Psicologia Jurídica e mestre em Psicologia Social, ambas pela UERJ. Psicóloga da Secretaria de Administração Penitenciária, da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (aposentada).

III Seminário: 20 anos do ECA: conquistas e controvérsias

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Jurandir Freire Costa: 'A ética é sempre uma aposta arriscada'

Dois escritores que se dedicaram a explorar as dimensões psicológicas e filosóficas de gêneros literários muitas vezes desprezados — o romance de espionagem e a ficção científica — são os personagens principais do novo livro do psicanalista Jurandir Freire Costa, “O ponto de vista do outro: Figuras da ética na ficção de Graham Greene e Philip K. Dick” (editora Garamond), que chega às livrarias na quarta-feira. Admirador de ambos, Jurandir enxergou nas obras de Greene, como “Fim de caso” e “O cerne da questão”, e Dick, como “O homem duplo” e “Andróides sonham com carneiros elétricos?” (que inspirou o filme “Blade Runner”), uma forma diferente e mais acessível de expor aos leitores suas reflexões sobre dilemas morais contemporâneos.

Em entrevista ao GLOBO em seu consultório, em Copacabana, Jurandir fala com empolgação do primeiro livro em que toma a literatura como tema e explica o que o levou a aproximar dois autores tão diferentes. Para o psicanalista, o britânico Graham Greene, um católico atormentado que expunha nos romances suas dúvidas e angústias quanto à moral tradicional, e o americano Philip K. Dick, que se transformou num ícone acidental da contracultura por suas experiências lisérgicas e tramas distópicas povoadas de androides e conspirações, têm em comum o fato de falarem sobre “a ética num mundo desencantado”.

Greene fala do ponto de vista de uma sociedade europeia tradicional que testemunha os extertores do sistema de valores pelos quais se guiava. A obra de Dick é o prenúncio de um novo momento, mas no qual ainda há espaço para valores éticos. A grande tese de Dick é que, uma vez que não podemos saber o que é o ser humano, nem o que é realidade, qualquer ideia fixa sobre o que é real ou o que é o sujeito é destruída. Diante disso, o que resta? A liberdade, a espontaneidade, o agir moral, a preocupação com o outro — diz Jurandir.

Nesta entrevista, Jurandir expõe sua concepção de ética, que passa por uma relação necessariamente instável e arriscada com os outros e pela recusa de certezas absolutas, e defende a relevância prática da obra de filósofos como Giorgio Agamben, Jacques Derrida e Slavoj Zizek, citados em “O ponto de vista do outro”. Às vésperas da eleição presidencial, o psicanalista diz que o debate político se concentra mais em soluções pragmáticas para questões urgentes do que na discussão sobre o bem comum e afirma que “só se pode julgar uma sociedade pela maneira como ela trata os desvalidos”.


No livro você diz que sua concepção de ética está entre “a obediência à moralidade válida para todos e o respeito à inclassificável singularidade da pessoa”. Como se equilibrar entre esses dois polos?

JURANDIR FREIRE COSTA: A riqueza dos autores com que trabalhei, tanto os teóricos quanto os romancistas, reside no fato de eles não quererem contornar essa dificuldade. (Os filósofos Giorgio) Agamben, (Slavoj) Zizek e (Jacques) Derrida acreditam que a grandeza da ética está no fato de você correr permanentemente esse risco, de ser o tempo inteiro levado a discernir quando é preciso fazer exceção àquilo que você aceita como principio básico de condução da sua vida. Eu faço uma distinção entre moralismo e ética. Moralismo para mim é um tipo de atitude em que o indivíduo cristaliza uma dessas posições a que você se refere, e a partir disso ele não sabe mais negociar com a realidade e as circunstâncias — ou opta pela moralidade em relação aos outros ou pretende arbitrar continuamente aquilo que deseja. São duas posições negativas.


Como essas questões aparecem nas obras de Graham Greene e Philip K. Dick?


JURANDIR: Os dois falam da ética num mundo desencantado. Greene representa, a meu ver, o universo de dilemas éticos tradicionais, aqueles com os quais lidávamos até 1968. Ele trata das grandes questões de natureza politica, por um lado, e individual e amorosa, por outro. Seus livros têm discussões em torno do liberalismo, do socialismo, da democracia, do valor da política enquanto atividade humana que contempla o agir ético do indivíduo. E Greene também pensava as questões amorosas da forma tradicional como nos habituamos a vê-las, em termos de traição e fidelidade, ou refletindo sobre o que é o amor, como se vê em “Fim de caso”. No universo de Greene, a Justiça é o que vale para todos e o amor é o que singulariza, é aquilo que extrai da moralidade válida para todos a atitude que atende a uma necessidade individual não prevista no código.


Esse universo de dilemas éticos tradicionais representado por ele ainda existe?

JURANDIR: Diz-se que deixamos de viver nesse universo onde tínhamos regras de condutas claras e dispúnhamos de valores que nos orientavam na escolha entre o bem e o mal. Diz-se que estaríamos perdendo isso no mundo desregulado de hoje, onde a política é irrelevante, as relações amorosas tendem a se fragilizar, e a preocupação com o corpo e as experiências de alteração da percepção, além das grandes mudanças da economia e a quebra das ideologias, estariam fazendo com que não soubéssemos mais o que é certo e errado. É contra isso que eu escrevi esse livro. E para dar um exemplo do que é nosso mundo “desregulado”, tomei a ficção de Dick, que cria uma versão radicalizada disso, para mostrar que mesmo em nosso novo universo as preocupações éticas ainda existem.


Como Dick faz isso?


JURANDIR: A grande tese de Philip K. Dick é que, uma vez que não podemos saber o que é o ser humano, nem o que é realidade, qualquer ideia fixa sobre o que é real ou o que é o sujeito é destruída. Diante disso, o que resta? A liberdade, a espontaneidade, o agir moral, a preocupação com o outro. Quando Dick fala do que ele chama de “universo humano”, descreve o sujeito ético como aquele que é sensível ao outro, o antiandroide. Nos livros dele, o androide tem essencialmente três características: é indiferente ao outro; usa o outro instrumentalmente; e é incapaz de fazer exceção. “Androide”, para Dick, é a uma figura usada para falar de um ser que não tem nem liberdade nem capacidade de agir moralmente.


Você já tinha trabalhado com textos literários antes? Por que usou esse método no livro novo?


JURANDIR: Nunca tinha trabalhado com ficção, mas, como a maioria das pessoas, tenho uma relação de fascínio com a literatura. Greene e Dick me interessam porque têm uma imaginação muito próxima da realidade, por mais que isso possa parecer escandaloso em se falando de Dick (risos). Mas se você encara a realidade com o olhar dele, começa a estranhar tudo que se passa ao redor. Busquei a literatura porque não queria fazer um trabalho que fosse ilegível para a maioria das pessoas. Por isso, coloquei as seções mais técnicas em apêndices no fim do livro, para que o especialista possa ler e identificar as fontes. Se você entra num autor como Derrida e não é um especialista, pode se sentir derrotado desde o início. Eu queria que os leitores pudessem entender e sentir que esses filósofos têm contribuições à vida delas, principalmente Derrida, que é de quem me sinto mais próximo.


E qual pode ser essa contribuição de Derrida?


JURANDIR: A ideia de que nossa vida nunca vai ser uma trajetória em céu de brigadeiro (risos). Derrida fala da Justiça como risco e da ética como um “perigoso talvez”. Toda aposta ética é sem garantia, porque se você exige garantias, dá um passo atrás em direção ao moralismo. Ou nós corremos esse risco juntos ou vamos perder a face humana do mundo. Isso vale para a justiça, para o amor, para tudo. Podemos fazer uma comparação. Hannah Arendt forjou uma expressão que se tornou corrente, “a banalidade do mal”, que não significa que o mal seja banal, mas que quem faz o mal não está à altura dele: a intensidade e a profundidade do mal escapam a seus autores. Podemos dizer que Greene e Dick falam da “grandeza do bem”. Na atitude ética, também estamos muitas vezes abaixo das consequências dos nossos gestos.


Como assim?


JURANDIR: Em “O homem duplo”, por exemplo, Dick fala de um garoto drogado e imprestável, que um dia vê um mecânico debaixo de um carro e percebe que o macaco está escorregando e vai cair nele. Então aquela criatura, que parecia mergulhada na inércia, pula e salva a vida do mecânico. Nada faria prever que aquela pessoa fosse capaz desse gesto de altruísmo e dádiva em relação ao outro. O que quero dizer é que todos podemos ser agentes da banalidade do mal e da grandeza do bem. A ética é sempre uma aposta arriscada, e desse risco não podemos fugir. Se nos colocamos numa posição tranquila temos sempre certeza de tudo, e isso nos joga no moralismo, na brutalidade e na desumanidade. A grandeza da ética reside justamente no fato de que ela não é uma atitude que tem meios adequados a fins. Não é calculável, nem previsível.


Você fala na ética como o contrário das certezas absolutas. Como viu o debate eleitoral deste ano, que foi marcado por posições entrincheiradas num momento em que se esperaria diálogo e preocupação com o bem comum?


JURANDIR: Acho que isso é inevitável. Os valores mais básicos muitas vezes se diluem nas conjunturas eleitorais e não são abordados. Os candidatos são pragmáticos e estão preocupados com soluções para questões urgentes. De outro lado, porém, você tem os fundamentos éticos que dão conta do que quero para mim, de como devo conduzir minha vida e torná-la mais feliz, como devo me relacionar com o outro. A eleição passa e essas coisas ficam. Os governos vão e vêm, e as pessoas continuam vivendo, sendo responsáveis umas pelas outras e, sobretudo, pelas novas gerações. Meu ponto é: não obstante a volatilidade de governos, partidos e mercados (risos), o que fazer para continuar num caminho que nos permita dormir à noite com a consciência tranquila? Minha preocupação é com isso, mais do que com qualquer situação conjuntural.


Mas a conjuntura das eleições também é um momento em que as questões éticas se colocam, não?


JURANDIR: Claro. Quero que alguém que se candidate a representar o bem comum tenha responsabilidade por isso. Mas insisto que para mim a questão fundamental é trabalhar as coisas que concernem o indivíduo em sua relação com si mesmo e o mundo, e tudo que ultrapassa essas conjunturas. O que importa, no fim das contas, é a ideia de igualdade e justiça. (O filósofo Zygmunt) Bauman coloca isso de uma maneira muito feliz. Numa entrevista, perguntaram a ele como julgar uma sociedade. Ele respondeu que só se pode julgar uma sociedade pela maneira como ela trata os desvalidos. Se você olha a sociedade pelo lado de quem é favorecido, então o Egito Antigo era perfeito e a França de Luis XVI também. Mas Bauman diz que devemos olhar para o lado de cá e pensar que quanto menos houver opressão, discriminação e exclusão, melhor será a sociedade. Para mim, essa é a medida.

FONTE: OGlobo