março 04, 2008

Desligando a TV


Desligando o Cartoon Network
Pilar Fazito
In: Digestivo Cultural

(...) eu, uma mulher de 31 anos que se considera razoavelmente escolada e conhecedora (não-praticante) de muita coisa bizarra no mundo, me sinta escandalizada com muitos desenhos transmitidos pelo Cartoon Network.

O conteúdo, no geral, é de uma pobreza atroz e ergue-se no insosso tripé escatológico: pum, meleca e arroto. Não vejo problema em desenhos, filmes e novelas apresentarem cenas que contenham isso. Mas quando repetem a fórmula à exaustão, a ponto de produzirem bordões ou banalizarem o sentido dos termos, o fato se torna realmente preocupante.

Affonso Romano de Sant'Anna diz em sua crônica "Saudades da elegância", publicada no Estado de Minas de 03/02/2008: "A televisão, um termômetro simbólico de nossa vida social, está cheia de exemplos da banalização da grosseria, sob forma de pretenso humor. [...] Somos uma cultura tropical e a informalidade sempre foi um traço cativante de nosso dia-a-dia. Mas informalidade é uma coisa; grossura, outra coisa. Elegância é bom ― e eu gosto.". Concordo com o Affonso.

Mas a meleca, o pum e o arroto representam apenas a ponta do iceberg cruel do que o Cartoon Network vem ajudando a reproduzir na sociedade. Antes fosse apenas questão de elegância. Muitos personagens venerados pelas crianças são apresentados como garotos descolados, que sabem mais do que os adultos e por quem não nutrem respeito algum. Atitudes como a chantagem, a mentira, a intimidação e a afronta aparecem o tempo todo, como no caso da vinheta em que o Batman "negocia" sua aparição no canal com o personagem de outro desenho. Um diálogo mais ou menos assim: "meu amigo quatro olhos, você me põe no seu programa e eu não mostro essa fita para os seus pais". Para arrematar, Batman, Mulher Maravilha e outros "heróis" jogam a tal fita cassete entre si, enquanto o personagem tenta pegá-la no ar.


As discussões acerca do desenvolvimento infantil e o que vem sendo veiculado na mídia, especialmente a Televisiva - em sua programação direcionada às crianças -, têm sido objeto de estudo e interesse por psicólogos e educadores.

Não resta dúvida de que a programação atual desses canais infanto-juvenis deixa muito a desejar e, pior, ainda incentiva as crianças a serem "livres" para fazerem o que desejarem, pois não existe a figura dos pais ou de uma autoridade adulta para colocar limites; enfim, as crianças são verdadeiros "heróis" enquanto os pais são relegados a figuras de menor valor, desprestigiadas, fracas e que geram vergonha aos filhos.

Ficção, apenas desenhos? Ou será um reflexo de nossa sociedade que vem delegando às escolas, às babás ou à TV a responsabilidade de educar os filhos?

Sugiro a leitura do artigo de Brito, Leila M.T. De papai sabe tudo a como educar seus pais. Considerações sobre programas infantis de TV. Psicologia & Sociedade; 17 (1): 17-28; jan/abr.2005

1 comentários:

giovanna disse...

eu entendo vcs , vi o site do digestivo cultural e deixei o que eu penso sobre isso , para vcs terem uma ideia eu so tenho 14 anos e tenho conciencia disso tudo , a sorte foi que eu consegui cultivar a minha mente de coisas boas e deixei de lado isso .mas mesmo assim quando criança , eu me levava sobre o insano desenho macabro por dentro . quando eu soube a verdade dele fiqueii mal . e pensei comigo mesma ... eu do o bem d assistir e eles dao o mal para agnt investir em nossas vidas . repito de novo "eles são os piores vilões que sse tem pois eles tem consciencia d q as crianças são os adultos de amanha ,e mesmo assim continuam abusando delas botando o mal
entrem em contato comigo , gostei d sua aquisição ao me fazer pensar com um assunto tão polêmico para mim :giovanna_otvos@yahoo.com.br